Quem é Izabel Dompieri de Assis, indicada para integrar o Conselho Diretor da ARSESP?
Neste relatório, o Prysmo apresenta sua trajetória profissional, principais atuações e conexões.
O que originou este relatório
Em 20 de agosto de 2026, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, submeteu à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) a indicação de Izabel Dompieri de Assis para integrar, como diretora, o Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP).
A Agência exerce, entre outras atribuições, a regulação e a fiscalização dos serviços de saneamento básico, incluindo os prestados pela Sabesp. Atualmente, a ARSESP não conta com titular na Diretoria de Regulação Técnica e Fiscalização dos Serviços de Saneamento Básico, o que torna essa área uma possível designação para Assis.
Embora ainda não tenha sido definida a diretoria que ela ocupará, como integrante do Conselho Diretor terá direito a voto nas deliberações colegiadas da Agência, inclusive em matérias com potencial impacto sobre a Sabesp.
Onde atuou
Cinco vínculos institucionais aparecem no perfil, do exercício da advocacia à estruturação de projetos dentro do programa estadual paulista de parcerias e, em seguida, no braço de setor privado do Grupo Banco Mundial.
Os projetos em que aparece
Os registros reunidos apontam concentração em modelagem de concessões rodoviárias e, a partir de 2025, em infraestrutura social.
Três eixos que organizam a atuação
As frentes de atuação registradas no perfil se repetem e se reforçam, do lado acadêmico ao lado da estruturação de projetos.
Em publicação institucional da Fundación Consejo España Brasil, de 2022, apontou a deficiência de investimentos em infraestrutura no Brasil e destacou especificamente a carência de investimentos em saneamento básico ao explicar a importância de concessões e parcerias público-privadas.
Da advocacia à estruturação de projetos
A cronologia abaixo reproduz o perfil na íntegra, ano a ano, sem cortes.
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2016 a 2019Iniciou sua trajetória profissional em 2016, como advogada na Madrona Advogados. No escritório, participou em processos relacionados a licitações, concessões e relações entre poder público e agentes privados. Em paralelo às suas atividades como advogada, aprofundou sua produção acadêmica relacionada à regulação estatal. Em 2019, publicou, em coautoria com Rosane Menezes Lohbauer, o artigo “(In)dependência regulatória”, no portal Migalhas. O texto examinou os limites da interferência ministerial na atuação de uma agência reguladora e discutiu os efeitos da estabilidade, previsibilidade e independência regulatória sobre investimentos.
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2020Em 2020, participou da produção acadêmica sobre direito público durante a pandemia de Covid-19. Em coautoria com Guilherme Abdallah Mundim, escreveu o capítulo “União, estados e municípios: uma mão lava a outra (ou deveria)”, publicado no volume 2 da obra Direito em tempos de crise: Covid-19, pela Quartier Latin. O texto tratou de questões relacionadas ao federalismo e à articulação entre os diferentes níveis de governo.
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2020 e 2021Ainda no mesmo ano, tornou-se assessora jurídica da Subsecretaria de Parcerias do Governo de São Paulo. Em janeiro de 2021, foi designada como suplente na Comissão de Acompanhamento dos Contratos de Parcerias Público-Privadas (CAC-PPP), na representação da então Secretaria de Projetos, Orçamento e Gestão. A comissão tinha atribuições relacionadas ao acompanhamento dos contratos estaduais de parcerias público-privadas, o que inseriu formalmente sua atuação na estrutura de governança do programa paulista de PPPs.
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2021Nesse período, também participou diretamente da discussão técnica sobre a modelagem da parceria público-privada do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas. Em artigo publicado fevereiro, em coautoria com Marina Zago e Thiago Ferreira, examinou soluções elaboradas para a retomada de um empreendimento marcado por obras paralisadas e contratos anteriores rescindidos. Entre os instrumentos discutidos estavam a criação de um período de pré-construção para diligências e aferição da situação das obras, mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro, remuneração por disponibilidade da infraestrutura, pedágio em sistema free flow e aplicação da metodologia International Road Assessment Programme (iRAP) para segurança viária.
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2022Em abril de 2022, tornou-se coordenadora de projetos da mesma Subscretaria. Em junho do mesmo ano, participou da elaboração do artigo “Concessão rodoviária Lote Noroeste – novos avanços regulatórios e inovações tecnológicas”, ao lado de Edgard Benozatti, Gabriel Rosa Gracindo e Marina Zago. A publicação tratou da quinta rodada do programa de concessões rodoviárias paulista e de uma modelagem que reunia aproximadamente 600 quilômetros de rodovias. Ainda, teve participação na revisão da modelagem do Trecho Norte do Rodoanel, tendo apresentado as modificações recomendadas pelo grupo de trabalho na reunião Conselho Gestor do Programa de Parcerias Público-Privadas (CGPPP) e do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização.
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Fim de 2022Ainda em 2022, em publicação institucional da Fundación Consejo España Brasil, de 2022, apontou a deficiência de investimentos em infraestrutura no Brasil e destacou especificamente a carência de investimentos em saneamento básico ao explicar a importância de concessões e parcerias público-privadas. No fim daquele ano, encerrou sua passagem pela Subsecretaria de Parcerias do Estado de São Paulo. Em balanço profissional publicado por ela, informou ter participado de um período em que o programa estadual estruturou concessões em diferentes áreas de infraestrutura, de parques a sistemas ferroviários, e registrou ter contribuído para a estruturação desses projetos.
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2023 a 2025Em abril de 2023, ingressou na International Finance Corporation (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial voltada ao setor privado, como consultora de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Em 2025, sua atuação alcançou projetos de infraestrutura social. Entre eles esteve a parceria público-privada do Complexo de Saúde Hospital Padre Eustáquio (HoPE), em Belo Horizonte/MG. Em relato sobre o projeto, informou ter integrado a equipe que trabalhou na estruturação por quase dois anos e citou a participação conjunta de órgãos como a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a Fundação Ezequiel Dias (Funed).
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2025Também em 2025, participou como revisora do Manual de Garantias Públicas para Concessões e PPPs, documento elaborado para sistematizar mecanismos de garantias oferecidas pelo poder público em projetos de concessão e parceria público-privada.
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2025Durante sua passagem pela IFC, também esteve ligada à estruturação de projetos rodoviários. Em registros profissionais de 2025, integrantes das equipes envolvidas no Lote Paranapanema atribuíram à equipe da IFC, com sua participação destacada, a condução da estruturação do projeto. O lote reuniu 285 quilômetros de rodovias paulistas, incluindo trecho da SP-270 entre Ourinhos/SP e Itapetininga/SP, e previu obras de duplicação da Rodovia Raposo Tavares.
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2026Deixou a organização em 2026. No mesmo ano, ampliou sua participação institucional na discussão jurídica sobre infraestrutura, tornando-se associada efetiva do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP). Em 2026, sua atuação no Comitê de Infraestrutura Social também apareceu em registros de debates sobre projetos de saúde, infraestrutura pública e modelagens de concessões. Sua própria produção profissional registrou encontros dedicados à discussão de projetos de saúde e de estruturas de PPP, demonstrando a continuidade do foco temático que já havia marcado sua passagem pelo Governo do Estado de São Paulo e pela International Finance Corporation (IFC).
Izabel Dompieri de Assis em uma página
Por que importa
- Atuou dentro da estrutura de governança do programa paulista de PPPs, com designação formal na comissão que acompanha os contratos estaduais de parcerias público-privadas.
- Levou modelagens à mesa decisória: apresentou as modificações recomendadas pelo grupo de trabalho do Rodoanel Norte na reunião do CGPPP e do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização.
- Registrou publicamente, em 2022, a carência de investimentos em saneamento básico como argumento a favor de concessões e parcerias público-privadas. É o ponto de contato mais direto do perfil com a pauta de saneamento.
- Na IFC, passou da infraestrutura de transporte para infraestrutura social e para a sistematização de garantias públicas, tema que atravessa qualquer discussão de estruturação de projeto com o poder público.
Frentes de atuação
- Regulação e direito públicoProdução acadêmica sobre regulação estatal, independência das agências e federalismo, em paralelo à prática em licitações, concessões e relações entre poder público e agentes privados.
- Estruturação de concessões e PPPsModelagem e revisão de projetos rodoviários no Estado de São Paulo (Rodoanel Norte, Lote Noroeste, Lote Paranapanema) e de infraestrutura social (HoPE), além da revisão do Manual de Garantias Públicas para Concessões e PPPs.
Base de formação
Graduou-se em História pela Universidade de São Paulo e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Além disso, é pós-graduada em Direito Administrativo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mestre em Direito pela Queen Mary University of London e iniciou o doutorado em Direito e Empreendimento pela FGV.